Crise no STF invade campanha e cria problema para Lula na reta final da eleição


A eleição presidencial entrou em sua fase decisiva com um problema que o Palácio do Planalto certamente preferiria manter distante da campanha: a crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) a partir das revelações relacionadas ao caso Banco Master.
O que começou como uma investigação sobre Daniel Vorcaro ganhou proporções muito maiores depois que vieram a público informações extraídas pela Polícia Federal e uma disputa aberta entre integrantes do próprio STF.
No centro da turbulência aparecem, entre outros personagens, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e André Mendonça. Mesmo não sendo diretamente responsável pelas condutas atribuídas ou questionadas em relação aos ministros, o presidente Lula passou a enfrentar uma consequência essencialmente política: a oposição trabalha para aproximar sua imagem dos integrantes da Corte que estão sob maior escrutínio.
Integrantes da própria campanha de Lula reconhecem que a crise do Supremo pode prejudicar sua tentativa de reeleição. O jornalista William Waack, da CNN, relatou que integrantes da campanha admitem esse desgaste. A CNN também informou que pessoas próximas ao presidente lamentaram o prolongamento do julgamento envolvendo Alexandre de Moraes porque desejavam um desfecho que permitisse retirar o STF do centro da campanha.
Politicamente, existe um problema particularmente complicado para qualquer presidente que disputa a reeleição: crises institucionais de grande dimensão tendem a contaminar o debate sobre quem já está no poder.
Lula tenta estabelecer uma linha de defesa relativamente simples. Publicamente, sustenta que eventuais envolvidos em irregularidades relacionadas a Daniel Vorcaro devem ser investigados e responsabilizados.
Ao mesmo tempo, procura evitar que a crise do Supremo se transforme no principal assunto da campanha.
Essa estratégia, entretanto, encontra dificuldades à medida que novos episódios surgem.
A sessão extraordinária do STF de 15 de setembro expôs publicamente a dimensão do conflito. Gilmar Mendes acusou André Mendonça de conduzir o caso com finalidade político-eleitoral. Mendonça reagiu e classificou a acusação do colega como leviana. A troca ocorreu durante a discussão sobre o relatório da Polícia Federal contendo menções a Alexandre de Moraes encontradas no contexto das investigações envolvendo Vorcaro.
A temperatura política, portanto, ultrapassou os limites tradicionais de uma divergência jurídica entre ministros.
É justamente nessa fragilidade que a oposição encontrou uma oportunidade eleitoral.
A estratégia consiste em associar Lula ao chamado establishment institucional e, particularmente, aos ministros do Supremo que se tornaram alvos de críticas nos últimos anos.
Essa associação é politicamente explorada principalmente em relação a Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
Há, entretanto, uma distinção necessária: não existe fundamento para atribuir a Lula responsabilidade pessoal por eventuais condutas de ministros do STF apenas em razão de proximidade política, decisões judiciais anteriores ou declarações públicas. As responsabilidades precisam ser individualizadas e demonstradas.
O que existe, do ponto de vista eleitoral, é uma tentativa clara da oposição de fazer essa ligação perante o eleitor.
E o próprio entorno presidencial percebe o risco. Segundo a CNN, aliados de Lula temiam justamente que a oposição conseguisse apresentar ministros considerados próximos ao governo como uma espécie de bloco de proteção a Moraes.
Esse talvez seja o ponto mais incômodo para a campanha petista.
Lula pode controlar sua propaganda, seus discursos, suas entrevistas e a estratégia de seus aliados. Não controla o comportamento dos ministros do Supremo nem as próximas revelações do caso Master.
A dimensão da ruptura ficou evidente durante o julgamento no Supremo.
Gilmar Mendes afirmou existir um “inequívoco viés político-eleitoral” na condução do caso e questionou a atuação de André Mendonça. O ministro também relacionou a divulgação das informações à campanha eleitoral.
A discussão ocorreu enquanto o Supremo analisava questões decorrentes do relatório da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, o material contém dezenas de mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes entre 2023 e novembro de 2025. Moraes nega ter cometido irregularidades e contesta a legalidade do relatório.
Independentemente do resultado jurídico futuro, a exposição pública desse conflito produz consequências políticas.
O Supremo deixou de aparecer apenas como árbitro das grandes disputas nacionais e passou a protagonizar sua própria crise interna justamente durante uma eleição presidencial.
Os reflexos políticos desse ambiente ganham contornos particulares no Distrito Federal.
Historicamente, o PT já teve muito mais protagonismo na política brasiliense. O partido governou o DF com Cristovam Buarque e posteriormente com Agnelo Queiroz, além de construir bancadas relevantes e possuir militância organizada.
Em 2026, porém, Leandro Grass enfrenta dificuldades para transformar a presença de Lula em força suficiente para alcançar a liderança da disputa pelo Palácio do Buriti.
No Datafolha divulgado em 11 de setembro, Celina Leão apareceu com 40%, José Roberto Arruda com 17% e Leandro Grass com 16%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número DF-06055/2026.
A mudança fica ainda mais evidente quando comparada à pesquisa Datafolha de 21 de agosto, registrada sob DF-07561/2026 e BR-02094/2026. Naquela ocasião, Celina tinha 30%, Arruda 28% e Grass 11%.
Portanto, Grass avançou cinco pontos entre as duas rodadas, mas Celina cresceu dez no mesmo período. Em vez de se aproximar da líder, o candidato petista viu a diferença aumentar.
A pesquisa Igape realizada entre 8 e 1
Fonte: Opinião Brasília
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