Defesa de Daniel Vorcaro Solicita Adiamento de Depoimento à PF
Ex-banqueiro busca postergar oitiva em investigação sobre supostas fraudes no BRB, alegando falta de acesso a documentos essenciais.
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A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, protocolou um pedido para adiar seu depoimento à Polícia Federal, previsto para esta terça-feira. Os advogados alegam não ter tido acesso integral aos documentos e laudos que compõem os autos da investigação. Vorcaro é figura central em um inquérito que apura alegadas irregularidades em operações financeiras e transferências de crédito envolvendo o Banco de Brasília (BRB).
O pedido de adiamento coincide com uma sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), convocada para o mesmo dia. Nesta reunião, o plenário analisará um relatório da PF que identificou trocas de mensagens entre Vorcaro e um ministro da Corte, no período que antecedeu a primeira prisão do ex-banqueiro em 2025. O STF decidirá se autoriza a abertura de uma investigação formal sobre esses contatos.
Simultaneamente, novos relatórios periciais divulgados aprofundam as suspeitas sobre a relação comercial entre o Banco Master e o BRB. Um laudo pericial da Polícia Federal, tornado público pelo ministro André Mendonça, relator dos inquéritos no STF, apontou fortes indícios de irregularidades na cessão de R$ 7,15 bilhões em carteiras de crédito da empresa Tirreno Consultoria ao Banco Master, entre 2024 e 2025.
A perícia detalha que a Tirreno, supostamente, não possuía capacidade operacional para originar tamanhos volumes financeiros, apresentando registros com padrões atípicos e repetitivos. Além disso, não foram encontradas evidências de pagamento efetivo do Banco Master pelas cessões, e a única conta bancária da Tirreno foi aberta após as operações, sem movimentação registrada. Esses direitos creditórios, posteriormente, foram transferidos para a instituição pública do sistema financeiro.
As consequências dessas transações resultaram em uma crise significativa para o BRB. A administração do banco estima um rombo de R$ 8,8 bilhões, atribuído a títulos inexistentes, fraudados ou de difícil liquidação adquiridos do Master. Embora o BRB tenha submetido um plano de capitalização ao Banco Central, as medidas propostas, como um empréstimo bilionário e a venda de carteiras de ativos, enfrentam entraves e indefinições regulatórias.
As investigações da Operação Compliance Zero já culminaram no bloqueio de bens de Vorcaro e na prisão preventiva de ex-gestores do banco estatal. Ademais, relatórios da PF revelam a atuação de um braço operacional ligado a Daniel Vorcaro, conhecido como "A Turma" e chefiado por "Sicário". Este grupo, por meio de credenciais funcionais de servidores, teria violado sistemas restritos para obter informações antecipadas sobre investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da PF, monitorando apurações relacionadas ao Banco Master, ao BRB e ao próprio Vorcaro.
Interceptações indicam que, em julho de 2025, Vorcaro teria ordenado um levantamento detalhado das apurações, conseguindo acesso prévio a um documento no MPF que viria a deflagrar a Operação Compliance Zero. Esse contexto adiciona complexidade ao cenário investigatório que cerca o ex-banqueiro e as operações que geraram a crise no BRB.
Fonte: G1 DF
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