Publicidade
Política DF

Entenda como WhatsApp virou arma poderosa na campanha eleitoral

Redação Cerrado em Foco•
Compartilhar:
Entenda como WhatsApp virou arma poderosa na campanha eleitoral
Entenda como WhatsApp virou arma poderosa na campanha eleitoral - imagem 2

Mensagem enviada por conhecidos tem peso maior do que propaganda oficial, e é aí que reside a força dessa comunicação política

Sem perceber, você acabou fazendo parte da campanha eleitoral.

“Quando o comercial ou a propaganda oficial do candidato aparece, o eleitor liga na hora o alerta de desconfiança porque sabe que existe um interesse eleitoral ali. Mas quando essa mesma mensagem chega por um amigo, um parente ou um vizinho, o processo de avaliação muda totalmente. O eleitor não analisa apenas o texto ou o vídeo, ele leva em conta a confiança que já tem na pessoa que enviou” , explica o especialista em ciências políticas e comunicação digital João Paulo Borges.

O fenômeno também não depende necessariamente de ser intencional ou organizado. Uma pessoa pode encaminhar uma informação porque acredita sinceramente que ela é verdadeira, ou que está ajudando familiares e amigos a “entender o que está acontecendo” , ou porque ela confirma algo que já pensava.

Neste caso, quando uma mensagem confirma uma opinião prévia, a tendência de compartilhá-la tende a aumentar. E quanto mais um grupo passa a receber conteúdos semelhantes, mais difícil pode ser perceber que existe uma seleção da realidade acontecendo.

O grupo começa a funcionar como uma bolha, onde as pessoas passam a consumir, receber e interagir apenas com conteúdos que confirmam suas opiniões, gostos e crenças. No contexto político, isso pode intensificar a polarização, fortalecer a percepção de que todos pensam da mesma forma e dificultar o diálogo entre pessoas com opiniões diferentes.

Se uma pessoa desconhecida publica uma informação duvidosa, é mais fácil desconfiar –isso não acontece quando quem envia é alguém em quem você confia há anos.

“Nessa pesquisa, 42% dos eleitores viram grupos grandes de amigos se dividirem em subgrupos menores só para poderem falar de política com quem pensa exatamente da mesma forma. Além disso, metade dos usuários notou o surgimento de regras implícitas ou explícitas de convivência que desencorajam debates acalorados para conter atritos familiares ou profissionais. Quando alguém tenta trazer uma perspectiva diferente para esses espaços, o custo social do conflito é muito alto. A pessoa prefere silenciar ou sair do grupo para não estragar a relação pessoal com conhecidos” , explica Borges.

O problema das fake news que circulam nos grupos de conversas também ficou mais sofisticado. Em vez de uma mentira completamente inventada, pode ser uma frase verdadeira atribuída à pessoa errada, uma declaração antiga apresentada como atual ou um vídeo real acompanhado de uma legenda falsa, ou até mesmo uma pesquisa verdadeira pode ser interpretada e repassada de maneira incorreta. A distorção pode variar, mas existe uma característica comum: o conteúdo é produzido para ser compartilhado.

Durante as eleições de 2026, conteúdos falsos sobre candidatos, pesquisas, urnas e até sobre o calendário da votação circularam antes do 1º turno. Num dos casos, um áudio dizia que eleitores de candidatos diferentes votariam em dias distintos. Apesar do óbvio absurdo, o TSE precisou desmentir a informação.

“É bastante difícil desmentir essas informações porque os veículos oficiais começam a ser vistos com antipatia porque alguém deles está falando algo que aquele grupo não quer ouvir. E cada vez vai ficando mais difícil, porque as pessoas vão se fechando e bloqueando essas informações. E, por isso, não por coincidência, vemos esse movimento de redução da percepção de credibilidade, porque isso tem a ver com o olhar sobre o mensageiro. Ele começa a se tornar desconfortável e passa a ser evitado” , acrescenta o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja.

Naquele ano, redes sociais e aplicativos de mensagens tiveram papel relevante na campanha presidencial. Jair Bolsonaro (PL), que tinha pouco tempo de propaganda eleitoral na televisão, construiu parte importante de sua comunicação política no ambiente digital e foi eleito.

Publicidade

“O Brasil é um país com estruturas de confiança bastante diferenciadas. Em geral as pessoas não confiam em instituições políticas, em partidos e no Congresso. Mas os brasileiros são conhecidos em diferentes pesquisas internacionais por confiar muito nos amigos e na família. Então, quando você circula uma mensagem política através de um grupo de família ou de amigos, a mensagem tende a ter mais confiança” , acrescenta o cientista político Leonardo Avritzer.

O crescimento desse tipo de comunicação fez a Justiça Eleitoral ampliar a atenção sobre os aplicativos de mensagens.

As regras eleitorais permitem determinadas formas de manifestação política na internet, inclusive por aplicativos de mensagens, mas impõem limites. A legislação proíbe, por exemplo, determinadas formas de disparo em massa e estabelece regras para a propaganda eleitoral.

Para 2026, o TSE manteve a previsão de que mensagens enviadas consensualmente por pessoas físicas, de forma privada ou em grupos restritos, não ficam submetidas às mesmas regras de propaganda eleitoral aplicáveis a outras formas de comunicação.

Em decisão de 2026, o TSE reforçou que a divulgação, em grupos com número expressivo de participantes e relevante potencial de difusão, de conteúdo ofensivo, inverídico ou descontextualizado capaz de atingir a honra e a imagem de um candidato pode caracterizar propaganda eleitoral irregular.

No entanto, a resposta para o problema não está apenas em remover conteúdos falsos ou punir quem os produz.

É necessário que o próprio usuário aja. Antes de encaminhar uma mensagem, vale fazer três perguntas simples: quem produziu isso? De onde veio? Existe outra fonte confiável confirmando a informação?

Se a mensagem começa com “ urgente ”, “compartilhe antes que apaguem” ou “a imprensa não quer que você saiba” , o alerta deve ser ainda maior.

Também vale procurar a data. Muitas mensagens políticas reaparecem em novas eleições, às vezes anos depois, apresentadas como se fossem acontecimentos recentes.

“O grande desafio é a mi

Publicidade
Publicidade
Publicidade

Fonte: Poder360

Compartilhar:

Leia também

Chance de virada no 2º turno das eleições em 4 Estados é baixaPolítica DF
18 de outubro de 2026 às 07:30

Chance de virada no 2º turno das eleições em 4 Estados é baixa

Distância entre candidatos no 1º turno no Acre, Amazonas, Distrito Federal e Espírito Santos foi maior que 10 pontos Das 120 eleições estaduais com 2º turno de 1990 a 2022, 46 terminaram com a distância entre os colocados maior que 10 p.p. no 1º turno. Nesses casos, a chance de virada é de 13% –a me

Por Redação Cerrado em Foco◆Fonte: Poder360Ler matéria →
Distritais eleitos gastaram de R$ 2,52 a R$ 41,15 por cada voto ganhoPolítica DF
18 de outubro de 2026 às 05:00

Distritais eleitos gastaram de R$ 2,52 a R$ 41,15 por cada voto ganho

Distrito Federal Distritais eleitos gastaram de R$ 2,52 a R$ 41,15 por cada voto ganho Os deputados distritais eleitos para o próximo quadriênio investiram em média R$ 17,42 para conquistar um voto dos eleitores João Paulo Nunes 18/10/2026 04:57 Vinícius Schmidt/Metrópoles Ler resumo Custo por voto:

Por Redação Cerrado em Foco◆Fonte: Metrópoles - DFLer matéria →
Do vermelho ao laranja: Grass troca a cor da campanha, mas não consegue colorir o entusiasmo da militânciaPolítica DF
17 de outubro de 2026 às 20:00

Do vermelho ao laranja: Grass troca a cor da campanha, mas não consegue colorir o entusiasmo da militância

A nove dias da eleição, candidato petista enfrenta uma distância expressiva nas pesquisas e sinais de desgaste político. Mudança visual levanta uma pergunta incômoda: o problema está na cor da campanha ou na falta de mobilização? Por mais que uma campanha tente mudar de aparência, nem sempre consegu

Por Redação Cerrado em Foco◆Fonte: Opinião BrasíliaLer matéria →

Mais lidas

  1. 1AtlasIntel confirma PoderData/Aya e dá Flávio com 53% e Lula com 47%
  2. 2Nara Ayres Britto, advogada e filha de ex-ministro, celebra casamento
  3. 3Lula e Flávio têm 49% cada um no 2º turno no Amazonas, diz PoderData
  4. 4Veja ato de Lula na av. Paulista em imagens captadas do alto
  5. 5Filha mata pai cadeirante em Bragança Paulista e transmite crime online