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Saúde

Estudo identifica alvo para tratar doença de Chagas

Redação Cerrado em Foco•
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Estudo identifica alvo para tratar doença de Chagas
Estudo identifica alvo para tratar doença de Chagas - imagem 2

Pesquisa da USP reduziu proteína do parasita e interrompeu etapa essencial do ciclo de infecção em testes de laboratório

Barbeiro, inseto associado à transmissão do "Trypanosoma cruzi"; OMS estima que a doença de Chagas afete 8 milhões de pessoas no mundo Secretaria da Saúde de Alagoas Agência Fapesp 11.out.2026 (domingo) - 12h54 Priorize o Poder no Google Pesquisadores da Universidade de São Paulo e colaboradores identificaram um alvo promissor para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a doença de Chagas. Em testes de laboratório, o grupo conseguiu interromper o ciclo de infecção do parasita Trypanosoma cruzi ao reduzir a produção de uma de suas proteínas.

Sem essa molécula em níveis adequados, o patógeno perdeu a capacidade de se diferenciar em sua forma infectante dentro de células cardíacas humanas, tendo seu desenvolvimento gravemente comprometido. A descoberta foi detalhada em artigo publicado em agosto na revista Communications Biology .

“Desenvolvemos uma versão do parasita deficiente para a proteína IP6K. Ele até entra na célula e se replica, mas com dificuldade. Sua diferenciação em formas infectantes é prejudicada, o que leva à redução das formas sanguíneas a cada novo ciclo de infecção intracelular” , disse Thaise Lara Teixeira , coautora do estudo, desenvolvido durante pós-doutorado no Instituto de Química da USP.

Teixeira atualmente é professora visitante no Programa de Pós-Graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas da Universidade Federal de Uberlândia.

Segundo os pesquisadores, uma evidência de que a IP6K realiza uma importante função no ciclo de vida do T. cruzi foi a dificuldade de produzir em laboratório versões do parasita que não expressassem a proteína.

“ Quando eram deletadas as duas cópias do gene que codifica a proteína IP6K, por meio de edição gênica, os parasitas simplesmente não sobreviviam para que os testes pudessem ser feitos nas células cardíacas. Por isso, os parasitas usados no estudo ainda tinham uma cópia desse gene” , afirmou Bryan Etindi Abuchery , que participou da pesquisa durante o mestrado no Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista, com apoio de bolsa da Fapesp.

O queniano Abuchery cursa atualmente o doutorado no IQ-USP, também com bolsa . Depois de se formar em biologia em seu país, ele estagiou na Unidade de Pesquisa Médica do Exército dos Estados Unidos no Quênia, onde monitorava a leishmaniose em regiões endêmicas do leste africano. Foi nessa época que um colega lhe enviou uma oportunidade de bolsa de mestrado da Fapesp para atuar no laboratório de Marcelo Santos da Silva .

Ainda no mestrado, Abuchery realizou estágio na Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, também com bolsa da Fapesp, onde fez parte das análises descritas no estudo publicado agora.

No trabalho, ele e seus colegas procuraram estudar a proteína IP6K justamente por suas funções ainda pouco conhecidas dentro de uma via de sinalização celular importante, mas pouco explorada.

Os ensaios mostraram que a IP6K tem uma similaridade muito baixa, cerca de 25%, com sua versão humana (homóloga). Este é um ponto importante para que um eventual tratamento que a tenha como alvo cause menos efeitos colaterais.

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O ciclo de vida do T. cruzi é relativamente complexo, uma das causas do seu sucesso evolutivo e de sua resistência a tratamentos. O fato de o estudo ter encontrado uma forma de interromper esse ciclo é um dos fatores que o tornam promissor.

“Se com baixos níveis de expressão de IP6K o parasita já fica tão prejudicado, é possível crer que, caso seja desenvolvido um fármaco que possa atuar especificamente nesta proteína, tenhamos um tratamento eficaz” , afirmou Silva.

O pesquisador ressalta, porém, a necessidade de mais estudos para compreender o papel do IP6K no ciclo de vida do T. cruzi , além da identificação de sítios específicos da proteína que possam ser usados como alvos de potenciais fármacos.

O T. cruzi tem um ciclo de vida que compreende 2 hospedeiros. Um invertebrado, normalmente o barbeiro, inseto que se alimenta de sangue, e um vertebrado, em geral mamífero, como humanos, cães, ratos e animais silvestres.

Duas das 4 principais formas do parasita ocorrem quando ele está colonizando o barbeiro: as formas epimastigota e metacíclica. Esta 2ª normalmente contamina humanos por meio das fezes e da urina do inseto, quando estas entram em contato com a ferida causada pela picada.

Uma vez na corrente sanguínea humana, o parasita infecta células e, dentro delas, inicia a transição para a forma amastigota. Esta então se multiplica até iniciar a mudança para a forma tripomastigota sanguínea, que sai da célula e vai para a circulação, podendo reinfectar outras células ou ser ingerida por outro barbeiro. Uma vez no inseto, transforma-se novamente na forma epimastigota, reiniciando o ciclo.

“O Trypanosoma cruzi tem afinidade por células cardíacas. Com o tempo, essas células vão sendo destruídas por ele e pela resposta inflamatória local, sem que o sistema imune dê conta de reparar o tecido por completo. Isso gera uma perda de função do músculo cardíaco, até o ponto em que ele reduz a capacidade de contrair e de bombear sangue para o resto do corpo, o que causa o aumento do músculo cardíaco, característico da fase crônica sintomática” , disse Teixeira.

Segundo o Ministério da Saúde, houve cerca de 400 casos de doença de Chagas no Brasil em 2025. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que a doença afete 8 milhões de pessoas no mundo, a maioria na América Latina.

Depois de uma fase aguda sem sintomas ou com sintomas inespecíficos, período que dura de 4 a 8 semanas, a doença chega no estágio crônico. Anos depois da infecção, por vezes décadas, de 20% a 30% dos pacientes desenvolvem problemas cardíacos que podem levar à morte, e cerca de 10% têm alterações digestivas.

Os 2 medicamentos disponíveis para tratar a doença ainda são os mesmos descobertos nos anos 1970, conhecidos por causar efeitos colaterais que por vez

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Fonte: Poder360

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