Gilmar Mendes critica André Mendonça por sigilo em caso Moraes-Vorcaro
Decano do STF acusa colega de conduta eleitoralista e insinua falta de ética na ocultação de informações.


O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), não poupou críticas ao colega André Mendonça, qualificando sua postura como a de um "boneco eleitoral" durante a sessão da Segunda Turma na última terça-feira (28). O embate surgiu em meio à discussão sobre o sigilo de informações do inquérito que investiga ameaças ao ministro Alexandre de Moraes e à sua família, envolvendo o empresário Roberto Mantovani Filho e a família de Alex Zanatta, bem como a advogada Elizabeth Zanatta e o genro dela, Thiago, no Aeroporto de Roma.
Mendes demonstrou forte descontentamento com a manutenção do sigilo por parte de Mendonça, que é o relator do caso. Ele questionou a decisão de não compartilhar a íntegra dos autos com os demais membros da turma, apontando que tal prática mina a transparência e a colegialidade inerentes ao funcionamento da Suprema Corte. A tensão se intensificou quando o decano reiterou a necessidade de acesso completo aos detalhes da investigação para uma análise adequada.
A indignação de Gilmar Mendes se aprofundou ao abordar a ocultação de elementos relevantes do processo, o que ele considerou uma falha grave. A analogia com a "máfia", afirmando que "até a máfia tem ética", foi usada para sublinhar a gravidade da situação e a percepção de que a conduta de Mendonça estaria aquém dos padrões esperados até mesmo em organizações ilícitas, que, segundo ele, possuem seus próprios códigos de conduta.
O inquérito em questão investiga as agressões verbais e ameaças supostamente dirigidas a Alexandre de Moraes e sua família em julho de 2023, na capital italiana. O episódio ganhou grande repercussão e levou à instauração da investigação, que agora se vê no centro de uma disputa interna sobre a publicidade de suas provas e depoimentos.
Essa discordância entre os ministros do STF evidencia tensões existentes dentro da Corte, especialmente em casos de alta visibilidade e sensibilidade política. A transparência na condução de processos envolvendo membros do próprio tribunal tem sido um tema recorrente de debate, e a posição de Gilmar Mendes reforça a cobrança por maior abertura e prestação de contas.
André Mendonça, por sua vez, não se manifestou publicamente sobre as críticas diretas de Mendes durante a sessão. A condução do caso e a decisão sobre a publicidade das informações permanecem sob sua responsabilidade, e as implicações de sua escolha continuam a gerar discussões no meio jurídico e político.
O desdobramento desse embate pode influenciar futuras discussões sobre o acesso a informações em processos sensíveis e a autonomia dos relatores em decidir sobre o sigilo. A expectativa é que o debate sobre a transparência e a ética na Suprema Corte continue a pautar os próximos encontros dos ministros.
Fonte: Poder360
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