Ideb: Quase 150 escolas não recebem nota por falta de avaliação em 2025
Ausência de dados afeta o planejamento educacional e a compreensão do desempenho da rede pública
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Em 2025, o Distrito Federal enfrentou um desafio significativo na avaliação educacional, com 147 escolas públicas – quase um quinto do total – ficando sem nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A ausência desses dados, que deveriam refletir o desempenho nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, impede uma análise completa da situação da educação local, especialmente em um ano em que o DF registrou queda nas médias do índice, sendo a única unidade da federação a apresentar esse declínio.
O principal motivo para a falta de pontuação reside na não aplicação ou na insuficiente participação dos estudantes nas provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Este exame é crucial para compor o Ideb, que combina o desempenho dos alunos com as taxas de aprovação escolar. A obrigatoriedade do Saeb abrange todas as instituições públicas com ao menos dez alunos nas séries avaliadas, como o 9º ano do ensino fundamental e o 3º ou 4º ano do ensino médio.
A Secretaria de Estado de Educação (SEEDF) reconhece a ausência de notas, mas ressalta que ela não implica necessariamente a não participação da escola ou a falta de dados educacionais. A SEEDF afirma utilizar diversas fontes de informação, como avaliações próprias e indicadores de fluxo, para acompanhar as aprendizagens. Contudo, especialistas apontam que a ausência do Ideb em um número tão expressivo de escolas dificulta a identificação precisa de problemas e o planejamento de ações pedagógicas mais eficazes.
Professor Francisco Thiago Silva, da Faculdade de Educação da UnB, enfatiza que o Ideb é um instrumento vital para a orientação de políticas públicas. A carência de resultados deixa gestores e educadores sem um diagnóstico claro da realidade escolar, impactando a definição de prioridades e, consequentemente, o repasse de verbas. O vazio de dados, segundo Silva, impede que o poder público identifique dificuldades e acompanhe avanços de forma eficiente.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Ideb, explica que, além das escolas não obrigadas a participar, também ficam sem nota aquelas que não atingem o número mínimo de dez estudantes presentes na avaliação ou 80% de participação dos matriculados. A sigla “ND” (Não Divulgado) é usada para identificar essas situações, que não devem ser atribuídas exclusivamente à baixa frequência, mas analisadas caso a caso.
A ausência de adesão ao Saeb pode sinalizar problemas estruturais nas escolas, como alta evasão, distorção idade-série ou vulnerabilidade social dos alunos. Para o professor Silva, é fundamental que o governo promova uma busca ativa, compreendendo as causas dessa não participação e incentivando os estudantes. Ele reitera que o objetivo do Ideb não é rotular ou punir, mas fornecer um norte para aprimorar a qualidade do ensino.
Fonte: G1 DF
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