Ministro da Fazenda defende arcabouço fiscal sob crítica no Congresso
Durigan rechaça avaliação negativa sobre contas públicas e aponta sucesso do plano econômico, apesar de dados contestados.

Em um cenário de crescentes questionamentos sobre a saúde das contas públicas, o ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, compareceu ao Congresso Nacional para defender a política econômica do governo Lula. Durante a audiência na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, Durigan apresentou um panorama otimista, argumentando que o novo arcabouço fiscal é um sucesso e que a inflação atual é um resquício da crise internacional do petróleo.
A postura do ministro foi de rechaçar as críticas e sublinhar os avanços econômicos. Ele reiterou que a meta de déficit zero para 2024 foi atingida, citando o resultado de 0,6% do Produto Interno Bruto em 2023 como prova da eficácia do plano. Essa afirmação, no entanto, é vista com ressalvas por parlamentares e analistas, que apontam a exclusão de gastos significativos do cálculo.
Um dos pontos mais polêmicos levantados por Durigan foi a explicação para a inflação. O ministro atribuiu o aumento dos preços, especialmente dos combustíveis, à Guerra na Ucrânia e aos consequentes choques no mercado de petróleo. Embora o conflito tenha impactado commodities globais, a oposição argumenta que políticas internas e o aumento de gastos públicos também contribuem para a pressão inflacionária.
A discussão também abordou a metodologia de contabilização dos gastos governamentais. Parlamentares de diferentes espectros políticos questionaram a forma como o governo tem gerenciado o orçamento, utilizando mecanismos como créditos extraordinários e fundos específicos que ficam fora da regra fiscal. Tais práticas geram um cenário de incerteza quanto à real situação das despesas e receitas do país.
Críticos apontam que o governo tem se valido de “contabilidade criativa” para apresentar resultados fiscais mais favoráveis do que a realidade. A aprovação da lei que adia o atingimento da meta de déficit zero para 2025, por exemplo, é citada como um indício da dificuldade em equilibrar as contas, contrariando a narrativa de sucesso apresentada pelo ministro.
O debate no Congresso reflete a tensão entre o Poder Executivo e o Legislativo quanto à gestão econômica. A defesa de Durigan, embora firme, não conseguiu dissipar as dúvidas de muitos parlamentares, que demandam maior transparência e rigor na aplicação das regras fiscais. A credibilidade da política econômica do governo permanece sob intenso escrutínio.
Analistas de mercado e especialistas em finanças públicas continuam a observar com atenção os próximos passos da equipe econômica. A capacidade de o governo manter o controle dos gastos e cumprir as metas fiscais será crucial para a confiança dos investidores e para a estabilidade da economia a médio e longo prazo, independentemente das justificativas apresentadas pelos ministros.
A resistência do Congresso em aceitar integralmente as explicações de Durigan sinaliza que o governo enfrentará desafios contínuos para aprovar suas pautas econômicas e para legitimar sua estratégia fiscal. A necessidade de um diálogo mais construtivo e de soluções concretas para os desafios orçamentários é evidente.
Fonte: Poder360
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