Nasa prepara tecnologias que detectam minerais críticos do espaço


Instrumento já foi usado na Estação Espacial Internacional, mas ainda não saiu dos laboratórios para a indústria
Tecnologia já desperta “interesse considerável” da indústria, embora o desenvolvimento do equipamento em escala comercial seja considerado complexo Leo Garfinkel/Poder360 - 22.set.2026 Leo Garfinkel enviado especial a Los Angeles (EUA) 10.out.2026 (sábado) - 11h07 Priorize o Poder no Google Em meio à corrida mundial por minerais críticos , a Nasa desenvolve em um dos seus laboratórios na Califórnia pelo menos duas tecnologias que poderão ser usadas para detectar depósitos desses materiais no subsolo a partir da órbita da Terra.
Os instrumentos, ainda em fase de testes, integram 2 projetos distintos de divisões do JPL (Jet Propulsion Lab), uma das sedes da agência norte-americana em Pasadena. O Poder360 visitou as instalações em 22 de setembro.
No Microdevices Lab (Laboratório de Microdispositivos, na tradução para o português), onde a Nasa desenvolve tecnologias para missões espaciais que podem ser transferidas posteriormente para a indústria, a equipe chefiada pelo cientista Frank Greer avança com a aplicação da espectroscopia de imagem na detecção de minerais a partir do espaço.
A tecnologia viabilizou o espectrômetro Emit , (Earth Surface Mineral Dust Source Investigation), lançado em 2022 e testado na Estação Espacial Internacional. O equipamento é capaz de mapear não apenas minerais críticos, como poeira atmosférica, emissões de metano e vegetação seca que pode originar incêndios.
O Emit é o 1º instrumento a utilizar a tecnologia de espectroscopia de imagens para medir de forma abrangente comprimentos de ondas de luz emitidas por minerais, sobretudo na superfície de desertos e outras fontes de poeira.
Ao Poder360 , Frank Greer disse que a tecnologia já desperta “interesse considerável” da indústria, embora o desenvolvimento do equipamento em escala comercial seja considerado complexo.
O laboratório gerenciado por Greer foi o ponto de partida de uma série de tecnologias que começaram na Nasa e foram absorvidas posteriormente pela indústria. Um dos exemplos mais simbólicos é o sensor de imagem CMOS , presente nas câmeras de todos os smartphones do mundo.
“Nosso objetivo é preencher uma lacuna entre a universidade, onde uma tecnologia totalmente nova pode ser inventada ou desenvolvida, e o que está disponível comercialmente” , disse o cientista.
A espectroscopia implementada na Nasa é uma técnica científica que usa tecnologia para dividir a luz de objetos celestes em suas cores ou comprimentos de onda individuais, como as do arco-íris, permitindo analisar a composição química, a temperatura, a densidade e a velocidade de estrelas, planetas e galáxias.
Os espectrômetros permitem medir um espectro de luz para cada ponto em uma imagem. Na prática, o instrumento possibilita identificar a composição de materiais remotamente e sem contato físico.
“A luz do Sol atinge a Terra e reflete de volta. A espectroscopia de imagem decompõe a luz em suas partes componentes, criando o arco-íris. Depois, você analisa o que chamamos de ‘impressão digital espectral’ ou a aparência da luz refletida que recebemos de volta. A partir daí, você pode identificar que rochas compostas por esses tipos de elementos possuem esse tipo característico de assinatura de luz” , afirma Greer.
Segundo o cientista, a tecnologia também pode ser usada para determinar quais tipos de minerais estão presentes em determinado depósito, mas a eficácia dessa aplicação dependeria do quão misturados com outros elementos os materiais estariam.
A algumas quadras de distância do Microdevices Lab, uma equipe da Nasa dedicada à tecnologia quântica desenvolve o que será a próxima geração do projeto Grace (Experimento de Recuperação da Gravidade e Clima, na tradução para o português), usado desde 2002 para rastrear o movimento de água no planeta.
Em órbita desde 2018, a atual missão consiste em 2 satélites idênticos que orbitam a Terra separados por uma distância de aproximadamente 200 quilômetros. O objetivo é medir as variações no campo gravitacional da Terra para rastrear como a água e a massa se movimentam pelo planeta ao longo do tempo.
A nova versão, com lançamento previsto para 2030 ou 2031, também permitirá detectar variações de densidade no solo para mapear recursos minerais e petróleo em regiões terrestres e oceânicas.
A próxima geração do projeto terá apenas um satélite que usará tecnologia quântica, com nuvens de átomos que atuarão como sensores gravitacionais, a partir de um processo de resfriamento a uma temperatura equivalente a -273 graus.
“Funciona tanto na água quanto no solo. Funciona em qualquer lugar, para qualquer tipo de variação de massa entre a área de pesquisa e a região ao redor. Também poderia ser usado para detectar fenômenos naturais, como deslocamento de massa devido a terremotos e secas” , disse ao Poder360 o chefe de Tecnologia da Diretoria de Ciências e Tecnologia da Terra da Nasa, Jason Hyon .
Fonte: Poder360
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