OAB repudia fala de Dino sobre "venda de sentenças" no STF
Entidade máxima da advocacia brasileira critica declaração do ministro, alegando que insinuações genéricas prejudicam a classe.


A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) posicionou-se firmemente contra as recentes declarações do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que insinuaram a prática de venda de sentenças na mais alta corte do país. Em nota oficial, a entidade máxima da advocacia brasileira rechaçou as insinuações, classificando-as como graves e destituídas de provas.
Flávio Dino, ao comentar as investigações sobre a venda de joias recebidas pela Presidência, mencionou a existência de "comércio de sentenças" no STF. Essa afirmação provocou imediata reação da OAB, que viu na fala uma generalização perigosa, lançando suspeita sobre toda a classe de advogados e prejudicando a imagem da justiça.
O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, enfatizou que, se o ministro possui informações concretas sobre irregularidades, deve apresentá-las às autoridades competentes e não tecer acusações de caráter genérico. A Ordem defende que acusações sem provas sólidas minam a confiança nas instituições e desrespeitam o trabalho dos profissionais do direito que atuam com ética e rigor.
Simonetti destacou a histórica defesa da OAB pela moralidade e legalidade no exercício da advocacia e da magistratura. A entidade tem um histórico de combater práticas ilícitas, mas reitera a necessidade de individualização das responsabilidades e da presunção de inocência, fundamentos essenciais do Estado Democrático de Direito.
A OAB ressaltou que a atuação de advogados em tribunais superiores é legítima e fundamental para o pleno exercício da defesa e do contraditório. A comunicação entre advogados e magistrados faz parte do rito processual e não pode, por si só, ser confundida com ilicitude. A Ordem reiterou seu compromisso com a defesa da legalidade e da valorização da profissão.
O episódio reacende o debate sobre a ética na relação entre diferentes esferas do Judiciário e a advocacia. A OAB aguarda que quaisquer alegações de má-conduta sejam devidamente investigadas, mas reforça que a presunção de culpa generalizada é inaceitável e prejudicial ao sistema de justiça como um todo.
O ministro Flávio Dino não se manifestou publicamente após o posicionamento da OAB. A controvérsia, contudo, sublinha a tensão inerente à responsabilidade de figuras públicas em suas declarações e o impacto que elas podem ter na percepção da justiça e de seus operadores.
Fonte: Poder360
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