Origem Energia avança com 1º projeto de estocagem de gás natural no Brasil
Iniciativa pioneira em Alagoas aguarda licenciamento para usar reservatórios depletados e garantir flexibilidade ao mercado.


A Origem Energia está desenvolvendo o primeiro empreendimento de estocagem de gás natural no Brasil, com localização no Polo de Pilar, Alagoas. A empresa aguarda a concessão do licenciamento ambiental até o final de 2026 para iniciar as operações. Este projeto piloto utilizará quatro reservatórios considerados depletados, ou seja, obsoletos para a produção, no jargão do setor.
Em dezembro de 2025, a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) já havia concedido um aval à companhia, implementando uma regulamentação experimental devido à ausência de projetos similares em atividade no país. A Origem Energia adaptou reservatórios adquiridos da Petrobras em 2021, em uma área que ainda mantém outros reservatórios produtivos. O investimento inicial na infraestrutura adaptada foi de aproximadamente R$ 100 milhões, com estimativa de mais US$ 200 milhões em fases futuras.
A expectativa é que o projeto piloto atinja sua capacidade plena até o fim de 2028, com a expansão começando a operar a partir de 2029 e podendo avançar até 2032. A escala do empreendimento poderá aumentar conforme a demanda, dado que existem cerca de 500 zonas já declaradas depletadas com potencial para estocagem. Grande parte da infraestrutura necessária já existia, pois a Petrobras realizava reinjeção de gás no local, permitindo à Origem reaproveitar poços, compressores e linhas após adaptações.
Anderson Bastos, diretor de estocagem da Origem, é o responsável pela implementação do projeto. Com mais de 30 anos de experiência, ele entrou na companhia com a missão de tocar a iniciativa, que considera um “efeito natural” do momento do mercado de gás natural no Brasil. Bastos enfatiza que a estocagem oferece “lastro”, uma garantia física de disponibilidade de gás, permitindo que comercializadores assumam posições sem depender da coincidência exata entre oferta e demanda. "Não tem como ter um mercado líquido, um mercado competitivo, sem lastro, sem estocagem", afirmou.
Bastos explicou ao Poder360, durante o evento ROG.e, que a Origem está ressignificando uma operação existente e abrindo o mercado a terceiros, uma decisão do CEO Luiz Felipe Coutinho. A estocagem se torna crucial com a abertura do mercado de gás natural, impulsionada pela Nova Lei do Gás de 2021. Anteriormente, a Petrobras, com seu domínio, ajustava oferta e consumo sem necessitar de armazenamento subterrâneo. No entanto, os novos agentes possuem portfólios menos diversificados. Em cenários de baixa demanda, o gás pode ser reinjetado; em picos de consumo, como o acionamento de termelétricas, a estocagem oferece uma alternativa aos terminais de GNL.
O diretor destacou a capacidade da estocagem de reutilizar poços que seriam abandonados, transformando-os em armazéns para terceiros. Ele citou exemplos de desequilíbrios na rede de transporte, onde o gás, subproduto da produção de petróleo, precisa ser direcionado. Em casos de baixa demanda industrial ou termelétrica, o gás pode ficar preso, levando a vendas forçadas a preços significativamente menores. "Para se ter uma ideia, o preço médio do gás no Brasil hoje é de US$ 8 por milhão de BTU, e o leilão tem um limite de US$ 2,50 por milhão de BTU", informou. A estocagem subterrânea de gás, uma tecnologia já consolidada no Hemisfério Norte, oferece flexibilidade para essas oscilações.
Fonte: Poder360
Leia também
TransporteGrass diz buscar eleitorado de Arruda: "Há convergência nas propostas"
Distrito Federal Grass diz buscar eleitorado de Arruda: "Há convergência nas propostas" . Veja vídeo Declaração do candidato ao GDF pelo PT foi dada na manhã deste sábado (26/9); José Roberto Arruda teve a candidatura barrada pelo TSE Francisco Dutra 26/09/2026 12:33 Equipe de Leandro Grass/Reproduç
TransporteGoverno mantém subsídio de R$ 2,12 no diesel até fim de outubro
Portaria da Fazenda unifica base legal na MP 1.391 a partir deste domingo (27.set.2026) e sinaliza novo ciclo de 30 dias
TransporteImportadores veem risco se EUA proibirem exportação de diesel
Um possível veto dos Estados Unidos às exportações de diesel poderia dificultar e até parar a operação de importadores privados brasileiros. O Brasil depende do mercado externo para cerca de 25% a 30% do diesel que consome. Em setembro, 80% do diesel importado pelo Brasil veio dos Estados Unidos.
Mais lidas
- 1Nara Ayres Britto, advogada e filha de ex-ministro, celebra casamento
- 2Filha mata pai cadeirante em Bragança Paulista e transmite crime online
- 3Acidente entre caminhões deixa dois mortos na DF-290, próximo ao Gama
- 4Lula Eleva Herói da Guerra do Paraguai a Marechal Honorífico
- 5Plataforma Fatal Model busca investidores na XP Expert para expansão