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Segurança

Queda de avião da Voepass: PF indicia 16 por atentado e falsidade

Investigação aponta cultura de omissão e falhas deliberadas que levaram à tragédia com 62 mortos em Vinhedo (SP).

Redação Cerrado em Foco
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A Polícia Federal concluiu a investigação sobre a queda do avião ATR 72-500 da Voepass Linhas Aéreas em agosto de 2024, em Vinhedo (SP), e indiciou 16 pessoas. Todos os indiciados são ligados à companhia, incluindo seu presidente, José Luiz Felício Filho. A tragédia não deixou sobreviventes, resultando na morte de 62 pessoas.

Quinze dos indiciados responderão por atentado contra a segurança do transporte aéreo, cuja pena varia de 4 a 12 anos de prisão, podendo dobrar em caso de morte. Um dos indiciados, o comandante do voo da madrugada que pilotou o mesmo avião antes do acidente, foi indiciado por falsidade ideológica. A Justiça Federal determinou que nenhum dos indiciados pode deixar o país enquanto o Ministério Público Federal analisa o inquérito.

De acordo com a PF, a aeronave não possuía as condições técnicas necessárias para operar sob formação de gelo severo e precipitações, com equipamentos cruciais como o sistema de degelo e o limpador de para-brisas inoperantes. Mesmo diante dessas deficiências, a empresa autorizou a decolagem. O delegado André Ribeiro, chefe da Polícia Federal em Campinas, destacou que a investigação revelou uma "cultura de omissão implementada na empresa", que ia além do nível operacional dos mecânicos.

Durante o voo, os pilotos foram alertados por múltiplos avisos sonoros e luminosos do sistema de segurança sobre a deterioração das condições, mas, segundo a PF, não tomaram as medidas cabíveis. A investigação também apontou que o avião havia apresentado problemas semelhantes em voos anteriores. No entanto, havia uma orientação da chefia e da direção de operações para que os pilotos não reportassem falhas nos relatórios pós-voo, a fim de evitar a parada da aeronave e a interrupção de voos subsequentes.

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A PF solicitou à Justiça Federal o compartilhamento das informações da investigação com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para que a agência apure administrativamente possíveis falhas na fiscalização da companhia aérea. O mesmo pedido foi feito à Procuradoria da República, buscando avaliar a conduta da Anac, que tem sede na capital federal.

Familiares das vítimas, representados pela Associação de Familiares das Vítimas, expressaram que as ações da Voepass foram criminosas. Fátima Albuquerque, da associação, afirmou que os envolvidos sabiam dos riscos e da iminência de uma tragédia. A associação planeja ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass.

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Fonte: Agência Brasil - Geral

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