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Saúde

Saúde Indígena: Violência e Precariedade Ameaçam Atendimento no Brasil

Audiência no Senado revela condições alarmantes de profissionais que atuam em comunidades originárias, com relatos de agressões e falta de estrutura essencial.

Redação Cerrado em Foco
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Saúde Indígena: Violência e Precariedade Ameaçam Atendimento no Brasil

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal expôs, em audiência pública nesta quinta-feira (6), a grave situação dos profissionais de saúde que atuam junto aos povos indígenas. Relatos chocantes de violência, assédio e condições de trabalho insalubres dominam o cenário, colocando em risco não apenas a integridade desses trabalhadores, mas a própria continuidade da assistência vital às comunidades indígenas.

Durante o evento, presidido pela senadora Damares Alves (Republicanos), foi lembrado o assassinato de Geovane Yanomami, agente de saúde executado em Roraima em julho, exemplificando a extrema vulnerabilidade a que esses profissionais estão expostos. Além da violência física, o assédio moral e sexual e a desvalorização profissional são queixas constantes, como apontou Joana Gouveia Mendes, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento Privado de Serviço de Saúde de Roraima. A falta de punição para tais crimes gera frustração e desmotivação entre os dedicados cuidadores.

As condições precárias de trabalho se estendem à infraestrutura básica. A ausência de alojamentos adequados, equipamentos, materiais e medicamentos, além da impossibilidade de conservar alimentos refrigerados, afeta diretamente a saúde e bem-estar dos profissionais. Lurdelice Capitâ, coordenadora do Fórum de Presidentes de Conselhos Distritais de Saúde Indígena, e Manoel Pereira de Miranda, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Tocantins, destacaram a dificuldade de acesso a muitas aldeias, exigindo longas jornadas a pé ou por vias fluviais, frequentemente sem transporte adequado.

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Essa precarização tem um impacto direto na saúde física e mental dos trabalhadores. Fábio Ramos Nunes Fernandes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Chapecó (SC), e Graciete Mouzinho, do Sindicato dos Trabalhadores em Santas Casas e Entidades Filantrópicas do Amazonas, descreveram a exaustão física, desidratação e problemas renais resultantes da falta de infraestrutura e alimentação. Acidentes em áreas indígenas muitas vezes sequer são notificados, evidenciando a ausência de amparo.

É dever do Estado garantir que esses profissionais desempenhem suas atividades em segurança e com dignidade, como enfatizou a senadora Damares Alves. A diversidade dos povos indígenas, que somam aproximadamente 1,7 milhão de indivíduos de 391 etnias, exige políticas públicas diferenciadas e sensíveis às suas culturas e tradições. A rotatividade de profissionais, muitas vezes causada pelas condições adversas, prejudica a construção de confiança e a efetividade do atendimento. A proteção desses "anjos" é crucial para o fortalecimento da saúde indígena e a concretização dos direitos constitucionais.

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Fonte: Senado Federal - Notícias

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