Senado Debate Desafios na Expansão de Renováveis, Priorizando Custo e Rede
Em sessão plenária, especialistas apontam gargalos regulatórios e infraestruturais que impedem o país de otimizar seu vasto potencial em fontes limpas, enquanto buscam energia acessível ao consumidor.

Em uma sessão de debate temático no Senado Federal, especialistas e representantes do setor energético delinearam os desafios cruciais que freiam o desenvolvimento pleno das energias renováveis no Brasil. Apesar da matriz elétrica predominantemente limpa e do potencial natural abundante, o país enfrenta obstáculos significativos que impedem a consolidação de sua liderança global em transição energética.
Os principais gargalos identificados incluem a necessidade premente de expansão e modernização da infraestrutura de transmissão de energia. Além disso, a falta de um arcabouço regulatório para tecnologias emergentes, como a energia eólica offshore e o hidrogênio verde, impede o destravamento de investimentos e o aproveitamento de vastos recursos naturais.
Senadores e painelistas enfatizaram a importância de equilibrar a expansão das fontes limpas com a proteção tarifária ao consumidor. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) alertou para o impacto dos custos da energia elétrica na competitividade industrial, citando dados da CNI. A meta, segundo ela, não é apenas gerar energia limpa, mas garantir que seja acessível, segura e propulsora de riquezas para a população.
João Daniel de Andrade Cascalho, secretário nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), apresentou programas governamentais que buscam essa conciliação, como o Luz do Povo e Luz para Todos, leilões de transmissão e incentivos a pequenas centrais hidrelétricas. Ele ressaltou o compromisso com uma transição energética justa e inclusiva, protegendo os mais vulneráveis e assegurando a segurança energética.
O debate também abordou a questão do “curtailment”, a redução forçada da produção de usinas eólicas e solares devido a falhas na transmissão ou planejamento. Heber Galarce, do Instituto Nacional de Energia Limpa (Inel), apontou perdas consideráveis antes mesmo da distribuição da energia. A falta de planejamento adequado e a qualidade de equipamentos foram outros pontos de preocupação levantados por Glauco de Paula Freitas, da Hitachi.
Representantes da indústria, como Elbia da Silva Aparecida Gannoum (ABEEólica) e Roberta Cox (GWEC), elogiaram a atuação do Congresso Nacional na aprovação de marcos legais, como a Lei das Eólicas Offshore, mas cobraram celeridade na regulamentação. O embaixador do Chile no Brasil, Issa Farid Kort Garriga, e a diretora da ABIHV, Fernanda Delgado de Jesus, destacaram o potencial de integração regional e de liderança do país na produção de hidrogênio verde, ressaltando a relevância geopolítica da transição energética.
A discussão sublinhou a vulnerabilidade energética do país e a dependência de insumos externos, como fertilizantes. Angela Livino, da Associação Internacional de Hidroeletricidade, defendeu o armazenamento hidráulico reversível como uma solução para a segurança elétrica, enquanto Thiago Ivanoski Teixeira, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), projetou um futuro com quase 99% da matriz elétrica composta por fontes renováveis em 30 anos, exigindo investimentos maciços em transmissão.
Fonte: Senado Federal - Notícias
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