Uso Indevido de IA em Conteúdo Político Cresce Antes das Eleições
Observatório revela que Flávio Bolsonaro e PL lideram publicações sem identificação de inteligência artificial; deepfakes de Lula são maioria.

Um levantamento detalhado do Observatório IA nas Eleições, iniciativa da Data Privacy Brasil e Aláfia Lab, revelou um preocupante cenário sobre o uso de inteligência artificial (IA) em publicações políticas nas redes sociais. Entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026, foi constatado que cerca de dois terços dos conteúdos gerados por IA não informavam ao público sobre o emprego da tecnologia, contrariando as determinações da Justiça Eleitoral.
O estudo analisou 413 publicações, identificando que aproximadamente 60% delas tinham caráter satírico, buscando ridicularizar figuras políticas. Os 40% restantes foram classificados como desinformação. A ausência de sinalização do uso de IA levanta sérias questões sobre a transparência e a moderação das plataformas digitais, que, apesar de oferecerem ferramentas de rotulagem, parecem não fiscalizar adequadamente o material sintético.
Entre os políticos que publicaram conteúdo sem a devida identificação de IA, o então presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) lidera a lista, com 13 ocorrências. Outros nomes do Partido Liberal também aparecem, como o deputado federal Mário Frias, com 10 publicações, e Sóstenes Cavalcante e Eduardo Bolsonaro, ambos com três. O ex-governador Romeu Zema (Novo) também foi citado com cinco publicações irregulares.
No que tange aos partidos, o Partido Liberal (PL) se destaca como o maior propagador de mensagens com IA utilizadas indevidamente, totalizando 28 publicações. O Partido dos Trabalhadores (PT) registrou quatro, e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) duas. A predominância do PL evidencia um padrão de uso questionável da tecnologia em campanhas e discursos políticos.
Os chamados 'deepfakes', manipulações de imagem ou voz por IA, representam 81% dos casos identificados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o principal alvo, com 112 publicações tendo sua imagem ou voz alteradas de forma pejorativa. Flávio Bolsonaro também foi vítima de 57 manipulações do tipo. A proibição do uso de deepfakes pela Justiça Eleitoral para propaganda eleitoral visa coibir a disseminação de conteúdo enganoso e preservar a integridade do debate público.
A pesquisa sublinha a urgência de maior responsabilização tanto por parte dos usuários que publicam esses conteúdos quanto das próprias plataformas digitais. A crescente sofisticação da IA torna fundamental a implementação de mecanismos eficazes para identificar e sinalizar materiais sintéticos, protegendo a opinião pública da desinformação e da manipulação eleitoral.
Fonte: Agência Brasil - Política
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