Brasil inicia processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA
Governo federal avalia resposta a sobretaxas americanas que afetam US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras.
O governo brasileiro anunciou a abertura formal do processo de avaliação para responder às tarifas impostas unilateralmente pelos Estados Unidos. A medida é baseada na Lei da Reciprocidade Econômica e visa analisar se as ações americanas justificam a adoção de contramedidas por parte do Brasil, que podem incluir a imposição de novos tributos ou restrições comerciais.
O Palácio do Planalto informou que o procedimento foi iniciado após o compartilhamento do pedido pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) com os membros do seu Comitê-Executivo de Gestão. Simultaneamente, o Ministério das Relações Exteriores notificará o governo norte-americano para solicitar a abertura de consultas diplomáticas, reforçando o compromisso com o diálogo nas relações internacionais.
Essa iniciativa não implica na aplicação imediata de retaliações. Trata-se de uma fase inicial de análise formal para verificar a justificativa das ações dos EUA e se elas se enquadram nos critérios da Lei nº 15.122, aprovada no ano passado em resposta às primeiras tarifas da gestão Trump. Essa legislação estabelece diretrizes para a suspensão de concessões comerciais diante de políticas de outros países que prejudiquem a competitividade econômica brasileira.
Dentre as possíveis respostas contempladas pela lei, o Brasil pode impor novas taxas, eliminar isenções tarifárias ou restringir a importação de bens e serviços. A legislação exige que as contramedidas sejam, na medida do possível, proporcionais ao prejuízo econômico causado ao país. O governo federal classifica as tarifas americanas como “injustificadas e arbitrárias”, reiterando a defesa de sua posição em todas as instâncias.
Desde julho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) aplicou uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo ferro, aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol e maquinário. Posteriormente, uma taxa adicional de 12,5% foi imposta, alegando que o Brasil não adota mecanismos eficazes para combater a importação de produtos com trabalho forçado. As novas tarifas afetam cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações nacionais ao mercado norte-americano, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
O Brasil já havia acionado a Organização Mundial do Comércio (OMC), solicitando consultas sobre a inconsistência das tarifas americanas com as regras da entidade, pedido que foi aceito pelos EUA. O governo federal destaca o superávit comercial americano na relação bilateral e reafirma seu empenho em proteger os setores afetados e preservar empregos através do Plano Brasil Soberano, ao mesmo tempo em que busca a diversificação de parcerias e a abertura de novos mercados.
O processo de reciprocidade busca, portanto, salvaguardar os interesses econômicos nacionais diante de barreiras comerciais percebidas como unilaterais. As próximas etapas envolverão a avaliação aprofundada dos impactos e a condução das negociações diplomáticas, mantendo a porta aberta para uma solução que evite uma escalada nas tensões comerciais.
Fonte: Agência Brasil - Política
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