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Educação

Campanha de Flávio Bolsonaro liga fake news da padroeira a criador de 'Dilma Bolada'

Notícia-crime à Procuradoria-Geral Eleitoral aponta ação coordenada e cita 29 perfis nas redes sociais

Redação Cerrado em Foco•
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Campanha de Flávio Bolsonaro liga fake news da padroeira a criador de 'Dilma Bolada'
Campanha de Flávio Bolsonaro liga fake news da padroeira a criador de 'Dilma Bolada' - imagem 2

A campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, protocolou uma notícia-crime junto à Procuradoria-Geral Eleitoral, apontando o publicitário Jeferson de Oliveira Monteiro, criador do perfil 'Dilma Bolada', como o responsável pela primeira publicação que deu origem a uma ação coordenada. Esta ação visava associar o senador à informação falsa de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

A notícia-crime, que cita 29 perfis, incluindo @jeferson, o perfil pessoal de Monteiro no X (antigo Twitter), solicita a abertura de inquérito para investigar um possível crime eleitoral. Jeferson publicou uma mensagem sobre o tema às 9h50 da quarta-feira (23.set.2026), afirmando que “católico não vota em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil”.

Flávio Bolsonaro jamais apresentou tal proposta. A ideia constou em um projeto de lei apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli, que trocava a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Esse projeto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e, posteriormente, arquivado. Flávio, à época deputado estadual no Rio de Janeiro, não participou da apresentação nem da tramitação do texto no Congresso.

Segundo o documento, seis minutos após a publicação inicial, o perfil @waglegal10 afirmou que Flávio sofreria uma “forte cobrança” de grupos evangélicos para remover o posto oficial de padroeira de Nossa Senhora Aparecida, caso fosse eleito. Em seguida, o perfil @Danilod60131018 respondeu com uma imagem gerada por inteligência artificial, que alegava que Flávio articulava a retirada do título. Cinco minutos depois, a mesma conta republicou a imagem com a frase “se isso aqui for verdade, é estarrecedor. Católicos não permitam isso”. A defesa sustenta que o curto intervalo entre as quatro publicações feitas por @jeferson, @waglegal10 e @Danilod60131018 indica uma ação estruturada, e não espontânea. Com exceção da conta de Jeferson, os outros perfis mencionados estão atualmente fora do ar.

Mencionado pela campanha do candidato do PL, Jeferson Monteiro criou em 2010 a personagem 'Dilma Bolada', um perfil satírico da então presidente Dilma Rousseff, que hoje soma mais de 2 milhões de seguidores. Ele tem experiência em campanhas políticas, projetos culturais e produção de conteúdo digital, e já foi assessor de comunicação digital do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes. Em 2023, atuou na EBC (Empresa Brasil de Comunicação) como gerente ligada à produção e programação de conteúdo.

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A circulação da informação falsa intensificou-se no dia seguinte e ganhou ainda mais força após a jornalista da GloboNews, Maria Cristina Fernandes, afirmar, na noite de quinta-feira (24.set), que “tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira”. A GloboNews corrigiu a informação e pediu desculpas na madrugada seguinte.

Jeferson Monteiro foi procurado pelo Poder360, mas não respondeu até a data de publicação da reportagem. Contudo, o comunicador se manifestou em suas redes sociais, afirmando que não havia mentira em sua publicação e que não havia sido procurado por uma reportagem do Jornal O Estado de S.Paulo sobre o mesmo assunto. Além da postagem inicial, Jeferson associou Flávio à proposta falsa em outras duas ocasiões, incluindo um post na madrugada do dia 24 e uma afirmação no dia seguinte de que Flávio mentia ao negar a proposta.

Neste domingo (27.set), o ministro do STF, Flávio Dino, reverteu uma decisão de André Mendonça que havia determinado a suspensão de uma publicação específica do humorista Antônio Tabet. O post de Tabet mencionava uma “família miliciana” atacando Nossa Senhora Aparecida, mas sem citar Flávio Bolsonaro nominalmente. Dino argumentou que não havia, naquele estágio do processo, certeza suficiente sobre a ilicitude para justificar uma restrição à liberdade de expressão. A decisão de Dino não validou a informação de que Flávio pretendia retirar o título de padroeira, mas analisou a situação específica da publicação de Tabet e os limites da ordem de remoção. Mendonça havia determinado anteriormente que plataformas como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube removessem conteúdos que associassem Flávio ou sua família à proposta, classificando-os como “notoriamente inverídicos”. As publicações de Jeferson permaneciam no ar às 16h deste domingo (27.set).

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Fonte: Poder360

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