Disponibilidade de Soro Antipeçonhento Pode Ser Obrigatória em Unidades de Saúde
Proposta em análise na Câmara Federal visa garantir acesso imediato a antídotos para acidentes com animais peçonhentos.

A Câmara dos Deputados analisa uma proposta legislativa que poderá revolucionar o atendimento a vítimas de acidentes com animais peçonhentos no Brasil. O Projeto de Lei 3550/23, de autoria do deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), estabelece a obrigatoriedade de todas as unidades básicas de saúde, prontos-socorros e hospitais da rede pública manterem em seus estoques as doses necessárias de soros específicos.
Atualmente, a distribuição desses antídotos é responsabilidade da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que os repassa aos estados e municípios. No entanto, a proposta argumenta que essa dinâmica centralizada pode gerar atrasos críticos no atendimento, especialmente em áreas mais afastadas ou com dificuldades logísticas, onde o tempo de resposta é vital para a sobrevivência do paciente.
A iniciativa surge como uma resposta à preocupante incidência de acidentes com animais como cobras, escorpiões, aranhas e lagartas. Dados do Ministério da Saúde, compilados de 2011 a 2021, revelam uma média anual de 176 mil casos, resultando em cerca de 400 óbitos por ano. Esses números sublinham a urgência de políticas públicas que garantam acesso imediato ao tratamento.
O deputado Rubens Pereira Júnior enfatiza que o tempo é um fator determinante na reversão de quadros clínicos graves. Ele destaca que a demora no atendimento pode levar a sequelas permanentes, como necrose de tecidos, perda de membros e até mesmo a morte. A proposta, portanto, busca mitigar esses riscos ao descentralizar o acesso aos soros.
A matéria tramita em caráter conclusivo, o que significa que, se aprovada pelas comissões designadas – Seguridade Social e Família, Finanças e Tributação, e Constituição e Justiça e de Cidadania –, ela não precisará ser votada pelo plenário da Câmara, avançando diretamente para o Senado Federal. Este rito célere reflete a importância e a urgência do tema para a saúde pública nacional.
A expectativa é que a implementação da lei, caso aprovada, otimize significativamente o socorro às vítimas, diminuindo a taxa de mortalidade e morbidade associada a esses acidentes. A medida representa um avanço na garantia do direito à saúde e na proteção da população, especialmente em regiões onde o contato com a fauna peçonhenta é mais frequente.
Embora a distribuição centralizada dos antídotos pelo Ministério da Saúde, via Funasa, seja a prática atual, a proposta de lei visa transformar essa logística, garantindo que o estoque mínimo esteja presente onde o atendimento de emergência é inicialmente procurado. Isso evitaria deslocamentos longos e burocráticos em momentos cruciais para a vida das vítimas. O projeto se alinha com a necessidade de uma rede de saúde mais resiliente e preparada para emergências.
Fonte: Câmara dos Deputados - Últimas
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