Estatuto da Cidade: 25 anos de desafios na gestão urbana
Comissão da Câmara dos Deputados analisa legado e futuro da legislação que molda o planejamento das cidades brasileiras.

A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados realizou um seminário na última quarta-feira (22) para marcar os 25 anos do Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001). O evento reuniu especialistas, representantes da sociedade civil e parlamentares para discutir o impacto da legislação no planejamento urbano do país e os desafios persistentes em sua aplicação.
Durante o encontro, os participantes destacaram a relevância do Estatuto como um instrumento legal fundamental para a garantia da função social da propriedade e da cidade, buscando promover um desenvolvimento urbano mais inclusivo e sustentável. A lei estabeleceu diretrizes para a política urbana, como o direito à moradia, saneamento básico, infraestrutura e mobilidade.
No entanto, apesar dos avanços teóricos, a implementação prática dos princípios do Estatuto da Cidade ainda enfrenta barreiras significativas. Temas como a especulação imobiliária, a gentrificação e a segregação socioespacial foram apontados como obstáculos à efetivação de uma cidade para todos. A complexidade da gestão municipal e a carência de recursos técnicos e financeiros em muitas localidades também foram citadas.
A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), que preside a Comissão de Desenvolvimento Urbano, ressaltou a importância de repensar as ferramentas urbanísticas do Estatuto, como o Plano Diretor, para que se tornem mais eficazes na promoção de cidades justas. Ela enfatizou a necessidade de participação popular e de um compromisso maior dos gestores públicos com a política urbana.
O debate também abordou a urgência de atualização do Estatuto para contemplar novas realidades, como as mudanças climáticas e a digitalização das cidades. Sugestões de aprimoramento incluíram a simplificação de processos e a criação de mecanismos mais efetivos de fiscalização para coibir o uso irregular do solo e promover a regularização fundiária.
Representantes de movimentos sociais e acadêmicos reforçaram a importância de fortalecer os conselhos municipais e outras instâncias de controle social, garantindo que as decisões sobre o futuro das cidades reflitam os anseios da população. A ausência de uma política habitacional robusta e o déficit de moradias adequadas foram temas recorrentes nas discussões.
Fonte: Câmara dos Deputados - Últimas
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