Plano do BRB para Recompor Patrimônio Trava; Medidas Essenciais Paradas
Seis meses após entrega ao Banco Central, ações cruciais para reforço patrimonial do BRB, abalado por negócios com o Banco Master, não avançam. Empréstimo de R$ 6,6 bilhões e recuperação de ativos estão estagnados.
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Passados 180 dias da entrega do plano de capitalização preventiva ao Banco Central (BC), as principais ações do Banco de Brasília (BRB) para recompor seu patrimônio, abalado por operações com o Banco Master, seguem sem sair do papel. O documento, protocolado em 6 de fevereiro, previa uma série de providências para reforçar o capital do BRB, mas as medidas cruciais para essa reestruturação continuam travadas.
Entre as providências mais urgentes, um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, destinado a cobrir parte de créditos considerados “podres” do Banco Master, ainda aguarda a aprovação de grandes bancos públicos e privados. Paralelamente, o acordo com o fundo Quadra Capital, que visava negociar R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Master, foi desfeito em junho, adicionando um novo desafio à recuperação do BRB.
A crise atual do BRB está diretamente ligada a negociações com o Banco Master entre 2024 e 2025, que totalizaram R$ 30 bilhões. Investigações da Polícia Federal, como a Operação Compliance Zero, apontaram supostas fraudes bilionárias, culminando na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sob acusação de permitir negócios sem lastro e governança adequada. O BRB estima que R$ 8,8 bilhões desses créditos são inexistentes ou de difícil recuperação.
A falta de transparência também se manifesta na não divulgação dos balanços patrimoniais de 2025 pelo BRB, um descumprimento de prazos que agrava a percepção de instabilidade. A ausência desses dados impede uma avaliação clara do benefício das medidas já anunciadas pelo banco, como a responsabilização cível de ex-gestores e a ampliação do capital social.
Além dos desafios financeiros, um possível empréstimo durante os últimos quatro meses de mandato do governo levanta questões legais. Embora o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dispense a observância de limites constitucionais para a operação, especialistas alertam que a contratação de dívida neste período pode ser contestada judicialmente, infringindo a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Fonte: G1 DF
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