Senado avança em projeto que protege bolsas de pesquisa durante licença-maternidade
Proposta visa assegurar continuidade acadêmica para pesquisadoras em período de gestação e puerpério.
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (12), um projeto de lei de autoria da senadora Augusta Brito (PT-CE) que estabelece a suspensão automática dos prazos de bolsas, editais e projetos de pesquisa financiados com verbas públicas federais durante o período de licença-maternidade das pesquisadoras. A iniciativa representa um avanço significativo na proteção dos direitos das mulheres na academia, assegurando que a maternidade não se torne um entrave para o desenvolvimento científico e profissional.
Atualmente, a interrupção das atividades de pesquisa devido à licença-maternidade pode resultar na perda de prazos cruciais, comprometendo o recebimento de bolsas e a conclusão de projetos. O Projeto de Lei 646/2026, com parecer favorável do relator senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), busca mitigar esse impacto, permitindo que as pesquisadoras se dediquem integralmente aos cuidados com seus filhos recém-nascidos sem o temor de prejuízos acadêmicos ou financeiros.
A proposta visa especificamente proteger aquelas que são mães, garantindo que o tempo dedicado à maternidade seja reconhecido e não penalize suas carreiras. A suspensão dos prazos permite que, ao retornar às atividades, a pesquisadora tenha tempo hábil para retomar seus estudos e experimentos, mantendo a integridade de seu trabalho e de seus financiamentos.
Após a aprovação na CDH, o texto segue agora para a análise da Comissão de Educação e Cultura (CE). A expectativa é que o projeto obtenha o mesmo apoio nesta etapa, dada a relevância do tema para a igualdade de gênero e o incentivo à permanência de mulheres na ciência e pesquisa. A medida é um passo importante para a construção de um ambiente acadêmico mais inclusivo e equitativo.
Defensores da proposta argumentam que a política atual, sem a suspensão dos prazos, pode desmotivar mulheres a prosseguir em carreiras de pesquisa, especialmente em um período tão sensível como a gestação e o puerpério. Ao remover essa barreira, o projeto não apenas ampara as pesquisadoras individualmente, mas também contribui para a diversidade e a riqueza da produção científica nacional.
A senadora Augusta Brito, autora do PL, destacou a importância de políticas que contemplem a realidade das mulheres na ciência. Ela ressaltou que a licença-maternidade é um direito fundamental e que a pesquisa não deveria ser uma área que exija a renúncia desse direito ou a imposição de sacrifícios indevidos. A proposta, se aprovada e sancionada, representará um marco para as pesquisadoras brasileiras.
Fonte: Senado Federal - Notícias
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