Votar em Flávio é “desamor à democracia”, diz Reale Júnior


Advogado autor de pedido de impeachment de Dilma afirma que há riscos à soberania e critica modelo de segurança pública
“Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia”, disse Reale Júnior (foto) Jefferson Rudy/Agência Senado PODER360 7.out.2026 (quarta-feira) - 17h07 Priorize o Poder no Google O advogado Miguel Reale Júnior, 1 dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), afirmou, nesta 4ª feira (7.out.2026), que o eleitor que escolher o senador Flávio Bolsonaro (PL) estará dando sinal de aprovação à tentativa de tomada do poder pela força e tem “desamor à democracia” . A manifestação “Cuidado com o precipício” foi publicada em um texto no Instagram .
“Assim, cada eleitor de Flávio deve ficar ciente de que ao escolhê-lo está a admitir a anistia, ou seja, referendando a invasão das sedes dos Três Poderes e a tentativa de anulação pela força da eleição fidedigna de 2022. Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia ” , escreveu Reale Júnior.
O advogado critica o plano de Flávio em anistiar os envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, a relação do senador com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), e fala em possível submissão ao país norte-americano. “Pouco se sabe sobre ele e acerca de suas propostas de governo. O certo é que pretende anistiar os golpistas de 8 de Janeiro, a começar por seu chefe, o pai, e submeter-se aos interesses dos Estados Unidos, que pretende ter os países da América como sesmarias” , disse o ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso (2002) e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo (1983-1984). Jair Bolsonaro (PL), pai do candidato, está em prisão domiciliar depois de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, que, segundo o general Mario Fernandes , incluía um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Ao comparar Flávio com o PT e com Lula, Reale Júnior afirma que os governos petistas não representam, na avaliação dele, o mesmo risco institucional. “Se é certo que o PT e o próprio Lula revelam o desgaste do tempo e permeia a sociedade um cansaço com o discurso petista, todavia, uma coisa é segura: com os governos petistas não se instala a apologia ou a tentativa do golpe militar, se preserva nossa independência e não se promove um estado policialesco.”
Reale Júnior também critica a defesa de Flávio para que o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital sejam classificados como organizações terroristas. Afirma que a medida poderia abrir espaço para uma intervenção norte-americana e fragilizaria a soberania nacional.
“Nada justifica que, ao se pretender mudar o rumo, tome-se o caminho do precipício. Dentro de 15 dias resolve-se o destino do Brasil e desejo ardentemente que não vivamos sob o signo da violência”, escreve ao fim do texto.
Miguel Reale Júnior diz que voto em Flávio “legitima o golpe”
copiar link | Reprodução/Instagram @miguelrealejunioradvogados - 7.out.2026 copiar link | Reprodução/Instagram @miguelrealejunioradvogados - 7.out.2026 copiar link | Reprodução/Instagram @miguelrealejunioradvogados - 7.out.2026 copiar link copiar link Eis a íntegra da nota:
“Em clima de marasmo e descrença na política, surgiu na eleição presidencial deste ano a figura secundária, inexpressiva, de Flávio Bolsonaro, que nem ele nem nenhum de nós algum dia pensou como presidente da República. Deste filhote apenas se constata ser pessoa bem penteada, amigona de milicianos, defensor da cloroquina e do tratamento precoce na pandemia, fazendo coro com a figura de papai. Mas quem é Flávio que recebe mais de 56 milhões de votos?
“Pouco se sabe sobre ele e acerca de suas propostas de governo. O certo é que pretende anistiar os golpistas de 8 de janeiro, a começar por seu chefe, o pai, e submeter-se aos interesses dos Estados Unidos, que pretende ter os países da América como sesmarias. Examinando sua produção legislativa em oito anos de Senado verifica-se que o endurecimento amplo da repressão penal foi o assunto preferencial inspirador de projetos de lei, que, no entanto, não foram aprovados.
“Assim, cada eleitor de Flávio deve ficar ciente de que ao escolhê-lo está a admitir a anistia, ou seja, referendando a invasão das sedes dos três Poderes e a tentativa de anulação pela força da eleição fidedigna de 2.022. Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia.
“O segundo propósito consiste em admitir a interferência norte-americana no Brasil, contra o Brasil, como já se viu no caso das tarifas. Corre-se o risco de prevalecer a justificativa de atuação militar estado-unidense contra grupos do crime organizado, já qualificados como terroristas, com anuência de Flávio.
“O Comando Vermelho (CV) ou o Primeiro Comando da Capital (PCC) em nada se assemelham a grupo terrorista, que age motivado não por objetivo econômico, mas por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, e pretendendo provocar terror social.
“Dessa maneira, constitui terrorismo atentar contra a vida de líder político, religioso, social ou membro de uma determinada comunidade, se em ação motivada por preconceito ou discriminação de raça, cor, etnia, religião ou pelo xenofobismo, visa a levar ao terror social.
“Não sendo a atuação do CV e do PCC terrorismo, por qual razão Flávio, após entrevista com Trump em 26 de maio deste ano na Casa Branca, defendeu que fossem classificadas tais organizações como terroristas? Para atender ao Tio Sam abrindo brecha para intervenção norte-americana. Sendo Flávio submisso a Trump, cumpre estar o eleitor c
Fonte: Poder360
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