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BRB em foco eleitoral: Fala de Lula reforça questionamento sobre impasse com a União

Redação Cerrado em Foco••Ceilândia•6 visualizações
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BRB em foco eleitoral: Fala de Lula reforça questionamento sobre impasse com a União
BRB em foco eleitoral: Fala de Lula reforça questionamento sobre impasse com a União - imagem 2

A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) ganhou um novo componente, desta vez diretamente eleitoral. Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um comício em Ceilândia, na quarta-feira (16), foi levada pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) como fato novo na disputa envolvendo a operação de crédito de R$ 6,6 bilhões destinada ao banco.

O episódio chama atenção porque a discussão, que até então vinha sendo apresentada principalmente nos campos financeiro, jurídico e administrativo, acabou chegando ao palanque eleitoral.

Durante o ato de campanha no Distrito Federal, Lula afirmou que seu governo não pretende destinar recursos da União ao BRB. No mesmo discurso, atribuiu a crise da instituição à relação entre a antiga administração do Distrito Federal e o Banco Master.

O ponto central da controvérsia, porém, está justamente na diferença entre entregar recursos federais diretamente ao BRB e a União conceder garantia para uma operação de crédito.

É sobre essa distinção que o Governo do Distrito Federal tenta agora chamar a atenção do Supremo.

Segundo a Procuradoria do DF, não existe pedido para que o governo federal simplesmente retire dinheiro do Tesouro e o transfira ao BRB.

A operação discutida judicialmente envolve R$ 6,6 bilhões provenientes do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O GDF busca uma estrutura de garantia que permita a realização dessa operação, cuja obrigação de pagamento, segundo sustenta o Distrito Federal, permaneceria com o próprio DF.

Essa discussão já estava no Supremo antes da declaração presidencial. No início de setembro, o GDF ingressou com ação pedindo uma solução para a garantia da operação. Documentos apresentados no processo indicam que a estrutura inicialmente imaginada, envolvendo uma fiança de instituições financeiras, não chegou a ser formalizada.

É justamente nesse contexto que a fala presidencial passou a ter relevância para a estratégia jurídica do Distrito Federal.

Na manifestação encaminhada ao ministro Luiz Fux, a PGDF chama atenção para uma circunstância específica: Lula não fez a declaração durante uma reunião administrativa, entrevista técnica ou pronunciamento institucional da Presidência.

A declaração ocorreu em um comício eleitoral em Ceilândia, no primeiro ato de campanha do presidente no Distrito Federal, em ambiente político e acompanhado de candidatos aliados.

Para a Procuradoria, essa circunstância reforça sua tese de que a resistência da União à operação não estaria baseada exclusivamente em obstáculos jurídicos ou fiscais, mas poderia envolver uma decisão de natureza política.

Há, portanto, dois planos diferentes que precisam ser separados.

De um lado está a posição institucional da União, que pode apresentar razões técnicas, jurídicas e fiscais para não conceder determinada garantia. De outro está a declaração política feita pelo próprio presidente da República diante de eleitores, em plena campanha. O problema surge quando esses dois discursos parecem se encontrar.

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Até então, uma eventual negativa da União poderia ser discutida essencialmente a partir dos documentos oficiais produzidos pelos órgãos federais. Mas depois do comício, surgiu um elemento adicional.

O próprio chefe do Executivo federal manifestou publicamente, em ambiente eleitoral, sua oposição a colocar a União no socorro ao BRB — embora a formulação usada por Lula, ao falar em “dar dinheiro” ao banco, não corresponda exatamente à descrição jurídica apresentada pelo GDF para a operação. Essa diferença não é apenas semântica.

Garantir uma operação de crédito e transferir diretamente dinheiro público para uma instituição financeira são mecanismos distintos. É justamente essa separação que a PGDF colocou diante do STF.

A circunstância em que Lula fez a declaração fornece um argumento concreto para o questionamento apresentado pelo Distrito Federal: se a posição sobre a operação é exclusivamente técnica, por que o tema foi apresentado pelo presidente nesses termos em um palanque eleitoral?

É essa pergunta que agora ganha espaço na disputa jurídica e política.

O impasse atual não apaga os graves problemas que atingiram o BRB em razão das operações relacionadas ao Banco Master. A Polícia Federal mantém investigações sobre operações envolvendo a instituição, inclusive sobre a aquisição de títulos sem lastro, e já pediu novas diligências no caso.

O próprio STF também vem tomando decisões relacionadas aos desdobramentos da crise. Em agosto, por exemplo, o ministro André Mendonça determinou o cancelamento de determinadas restrições que ainda atingiam bens, direitos e garantias vinculados ao BRB, considerando que a instituição já havia sido excluída das medidas patrimoniais correspondentes.

Portanto, questionar a natureza da resistência da União à atual operação de crédito não significa ignorar as responsabilidades que possam existir na origem da crise do banco.

Responsabilidades administrativas, financeiras ou eventualmente criminais devem ser apuradas pelos órgãos competentes. Já a discussão apresentada agora ao Supremo diz respeito às condições para viabilizar uma solução financeira e ao papel que cabe à União nessa estrutura.

A reação do GDF mostra justamente o risco institucional criado quando um problema dessa dimensão entra no discurso de campanha.

A governadora Celina Leão acusou Lula de transformar o BRB em uma “arma eleitoral” e afirmou que o Distrito Federal não está pedindo uma transferência direta de recursos federais. A declaração representa a posição política da governadora e também deve ser compreendida dentro do ambiente eleitoral em que a disputa ocorre.

Por isso, talvez o aspecto mais relevante do episódio não esteja em decidir antecipadamente quem tem razão. Está na necessidade de separar o que é decisão técnica de Estado do que é discurso político de campanha.

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Fonte: Opinião Brasília

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