Lula lamenta decisão que o impediu de ir a velório de irmão em 2019
Presidente compara veto de ministro do STF à época com autorização de delegado na ditadura para última despedida.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou, nesta quarta-feira (15), sua profunda indignação com a decisão do então ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o impediu de comparecer ao velório de seu irmão, Genival Inácio da Silva, em 2019. O chefe do Executivo relembrou o episódio como um dos momentos mais difíceis de sua trajetória pessoal e política.
Durante o evento do lançamento do livro “A Saga do Brasil” no Palácio do Planalto, Lula comparou o veto judicial a práticas de regimes autoritários, afirmando que a única vez em que o impediram de ver um familiar morrendo foi na ditadura, quando precisou de autorização de um delegado. Ele destacou que, mesmo em tempos de exceção, havia uma sensibilidade que, segundo ele, faltou na decisão de 2019.
Na época, Lula estava preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, cumprindo pena no âmbito da Operação Lava Jato. Seu irmão, Genival, conhecido como Vavá, faleceu aos 79 anos vítima de câncer de pulmão. A defesa do então ex-presidente solicitou à Justiça a liberação para que ele pudesse se despedir, mas o pedido foi negado inicialmente pela Justiça Federal e, posteriormente, referendado pelo ministro Toffoli, então presidente do STF.
A decisão judicial permitia apenas uma visita de Lula à unidade militar, onde o corpo seria levado, após o velório e antes do sepultamento. O presidente recusou a oferta, alegando que não queria ter um “velório exclusivo”, o que seria uma situação desumana e constrangedora. A negativa intensificou o debate público sobre os direitos de presos em situações de luto familiar.
O presidente reforçou que, apesar de todas as adversidades enfrentadas ao longo da vida, a impossibilidade de se despedir do irmão foi um dos golpes mais duros. Ele ressaltou a importância do convívio e do afeto familiar, especialmente em momentos de dor e perda, temas que permeiam sua narrativa política e pessoal.
O episódio serve como um ponto de reflexão sobre os limites da aplicação da lei e a consideração de aspectos humanitários no sistema judiciário. A crítica de Lula, feita publicamente, reacende discussões sobre o papel das instituições e a sensibilidade necessária ao lidar com casos que envolvem direitos fundamentais e o sofrimento humano, especialmente quando se trata de figuras públicas.
Fonte: Poder360
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