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Educação

Memória do Holocausto Cigano: Combate ao Racismo e Valorização da Cultura

Senado debate a importância de relembrar as vítimas do anticiganismo nazista e a necessidade de políticas públicas para a comunidade cigana no Brasil.

Redação Cerrado em Foco
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Memória do Holocausto Cigano: Combate ao Racismo e Valorização da Cultura

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal promoveu um debate crucial sobre a memória do Holocausto Cigano e as estratégias para enfrentar o anticiganismo, o antissemitismo e outras formas de intolerância étnica. A discussão reuniu pesquisadores, representantes de instituições de memória, especialistas em direitos humanos e lideranças ciganas, todos ressaltando a perseguição histórica sofrida por povos como os rom e sinti durante o regime nazista, além dos desafios contemporâneos enfrentados por essas comunidades no Brasil.

A iniciativa, proposta pela senadora Damares Alves (Republicanos), presidente da CDH, sublinhou a estimativa de até 500 mil mortes de ciganos rom e sinti durante a 2ª Guerra Mundial. Um episódio chocante, relembrado na audiência, foi o assassinato de aproximadamente 4,3 mil ciganos em uma única noite, entre 2 e 3 de agosto de 1944, no campo de concentração de Auschwitz. A senadora enfatizou que “a preservação dessa memória possui significado que ultrapassa o resgate histórico. Ela representa um compromisso com a verdade, com a justiça e, sobretudo, com a prevenção de novas violações de direitos humanos”.

Aline Miklos, pesquisadora e membro do povo rom, destacou a relevância de recordar o Holocausto Romani para entender a raiz histórica da perseguição cigana e combater o racismo. Ela argumentou que o anticiganismo precede o nazismo, originando-se no período colonial e persistindo através de discriminação e exclusão. Miklos também apresentou o “Mapa da Memória Romani nas Américas”, um projeto que documenta a história, cultura e violações de direitos dos ciganos no continente, reforçando a memória como instrumento de justiça e reparação.

Outros participantes, como Hayanne Iovanovitchi, coordenadora da Política de Povos e Comunidades Tradicionais do Paraná, e Igor Shimura, cientista social, reiteraram a necessidade de combater ideologias de ódio. Iovanovitchi defendeu a ampliação da participação cigana em políticas públicas, enquanto Shimura alertou que o discurso de ódio é o precursor da violência contra grupos vulneráveis, enfatizando a educação como ferramenta de combate.

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Marcos Toyansk Guimarães, coordenador do Grupo de Estudos Ciganos do Leer/USP, observou a perseguição compartilhada por judeus e ciganos pelo nazismo, mas pontuou que o reconhecimento das vítimas ciganas ocorreu muito mais tarde. Carlos Reiss, do Museu do Holocausto de Curitiba, defendeu a criação de um Dia Nacional em Memória do Holocausto Cigano (2 de agosto) e um plano nacional de combate ao anticiganismo, visando a dignidade de todas as vidas.

A invisibilidade estatística dos povos ciganos, mencionada por Aline Miklos, é um desafio significativo. A falta de inclusão em censos nacionais e a escassez de dados fragmentados dificultam a formulação de políticas públicas eficazes. Apesar de estimativas do IBGE apontarem entre 800 mil e 1 milhão de ciganos no Brasil, a ausência de uma contagem oficial perpetua essa invisibilidade. A audiência foi encerrada com uma apresentação de dança pela comunidade cigana de Trindade, celebrando sua cultura e honrando as vítimas.

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Fonte: Senado Federal - Notícias

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